segunda-feira, 30 de maio de 2011

Queixas sobre demora na entrega de imóveis comprados na planta saltam 198% em três anos

Publicada em 01/06/2011 às 00h03m
O Globo
No Condomínio Ventura, em Niterói, além do atraso, compradores reclamam do  uso de grades em lugar de muro / Marco Antônio Cavalcanti
RIO - O número de reclamações sobre o setor imobiliário aumentou 198%, de 2007 para 2010, no banco de dados da seção Defesa do Consumidor do GLOBO. A demora na entrega dos imóveis novos é o principal alvo de queixas. Este ano a participação desse tipo de reclamação, em relação ao total de cartas sobre o setor, quadruplicou. São casos de consumidores que já contabilizam atraso até um ano e meio em relação ao prazo prometido para a entrega das sonhadas chaves da casa própria, informa a reportagem de Luciana Casemiro.
Quando o advogado Ricardo Alves comprou o apartamento, ainda na planta, num empreendimento da Klabin Segall em Botafogo, seus filhos gêmeos sequer haviam sido concebidos. Os meninos já têm dois anos e seis meses, a Klabin Segall já foi comprada pela Agre, que por sua vez foi encampada pela PDG, quase um ano se passou da data prevista de entrega e Alves ainda não pôs as mãos na chave do apartamento.

- O contrato já prevê a possibilidade de seis meses de atraso, o que eu nem vou discutir, mas esse prazo terminou em fevereiro. Por esse atraso, além dos seis meses, a empresa deveria me pagar uma multa mensal. No contrato, no entanto, há uma cláusula, que já vi igual em outras construtoras, de que se houver habite-se não é preciso arcar com a multa. Conclusão: a PDG conseguiu o habite-se em março, mas não há condições de moradia. Isso é abusivo - queixa-se Alves, para quem o Ministério Público deveria fazer para as construtoras um recurso semelhante ao feito para sites de venda on-line.- Se não conseguem terminar as obras, as construtoras deveriam ser proibidas de fazer lançamentos.
A PDG informa que em janeiro de 2011 iniciou o processo de unificação das marcas de suas unidades, como CHL e Goldfarb, adquiridas em 2007, e Agre, comprada em 2010, e concentra todos os esforços na entrega dos empreendimentos lançados antes das aquisições. No primeiro trimestre deste ano, a PDG diz ter entregue 56% da meta para o semestre, que é de 15 mil unidades no país. Em relação ao empreendimento Etage, lançado em Botafogo pela Klabin Segall em 2007, a empresa informa que a assembleia de instalação do condomínio foi feita em 25 de maio e acrescenta que todas as questões contratuais relativas a multas serão honradas.
A entrega do empreendimento Ventura, em Niterói, da Living, empresa do grupo RJZ Cyrela, estava prevista para novembro de 2009, mas o atraso não é o maior problema dizem os compradores. Na vistoria do imóvel, Débora Roseira e seu marido Rodolfo Fernandes encontraram mármore quebrado, vidro trincado, porta do banheiro solta, erro de caimento no box etc.
- O grosso foi consertado, mas, como iríamos fazer obra, decidimos receber logo. Mais sérios, no entanto, são os problemas nas áreas comuns, que vão de acabamento a projeto. Os corredores estão um horror, a área externa fica com poças, há paredes tortas, e as pessoas são obrigadas a andar pela mesma via dos carros, não há uma passagem alternativa. Além disso, cercaram o condomínio com grade, quando o projeto previa muro - diz Débora, informando que os compradores planejam contratar um perito para avaliar a construção.
A Living informa que vem mantendo contato com os proprietários do Ventura para solucionar as questões pendentes, caso a caso. Especificamente sobre o caso de Débora e Fernandes, informa que o apartamento foi aprovado em 5 de maio e as chaves, entregues no dia 11, tendo o mármore sido trocado. O vidro, explica, será trocado após a reforma.
Manuel Martins Afonso conta que esperava mudar-se para seu apartamento no London Green, da Gafisa, na Barra da Tijuca, em abril de 2010. Ele quitou o imóvel de R$ 400 mil em dezembro do ano passado, mas no dia 7 de abril percebeu que faltavam vários itens, de vasos a rodapé, passando até pelo alizar.
A Gafisa esclarece que a alteração no cronograma de entrega dos empreendimentos em atraso - além do London Green há o Quintas do Pontal, no Recreio, a Torre Hill Valley e o Fit Residence, em Niterói - ocorreram por motivos alheios a seu controle, como chuvas acima da média e a escassez de mão de obra. A construtora reforça que tem sido transparente com os clientes sobre os processos ainda necessários e os novos prazos para a entrega das unidades. No caso de Afonso, informa que a entrega das chaves foi feita em 26 de maio.
Rogério Jonas Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, empresa com mais reclamações do setor no cadastro desta seção, assume que realmente tem havido atraso na entrega das obras, mas destaca que não é uma questão isolada, e sim um problema do setor, que vive uma "crise do crescimento".

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/morarbem/mat/2011/05/31/queixas-sobre-demora-na-entrega-de-imoveis-comprados-na-planta-saltam-198-em-tres-anos-924582092.asp#ixzz1O3ImEXRL
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